sábado, 16 de abril de 2011

Só pra aliviar

É interessante, quando enfim, depois de anos de existência, e de questionamentos, você finalmente percebe que construiu um protótipo de consciência. Porém, mesmo depois de amadurecer, crescer, passar por todo tipo de provação e experiências, sua felicidade está agora, atada a de uma outra pessoa.

Tudo se torna condicional demais, você já nem sabe se isso é bom ou ruim, aquela angústia de antes volta, e você contempla novamente o medo. Sim, aquele que combaliu tua autoconfiança por toda a vida, aquele medo, inerente à humanidade. Todos os questionamentos retomam de onde pararam, assim que o deslumbre se iniciou.

É nessa altura, que todo o estresse, os problemas – até mesmo os pequenos – se tornam tempestades. E é aí que você deve se perguntar se vale à pena, viver no meio dessa tempestade, porém, tendo aquele refúgio, que mesmo nunca sendo tão quente, acolhedor e tudo o mais que você espera, é um refúgio, e sempre há a esperança de que fique melhor. Ou então, abre mão de tudo isso, sucumbe ao nervosismo e a dúvida – da qual você nunca vai se livrar, aliás – jogando tudo pro ar, volta àquela calmaria de sempre, porém encara o vazio. Suas dúvidas retornam após o alívio, sua angústia, essa agora sem nome, tudo vem de novo, entretanto o elenco aumentará: Arrependimento.

domingo, 3 de abril de 2011

Sobre meu dia de hoje

Fito os ponteiros do relógio, nessa dança infinita de contar o tempo.
TIC TAC
E me vem de novo aquela angústia corrosiva, de dentro para fora; ou de fora para dentro? Eu já nem sei mais.
Esse sentimento perigoso já se enraizou no meu espírito; talvez seja mais velho que eu.
Esteve sempre adormecido, sonhava quando eu estava acordado. Mas alguma coisa me aconteceu , e agora mais nada é certeza. Nem o relógio com sua dança exaustiva, lenta e irritante, e nem mesmo o ser que eu chamo de "Eu".
A realidade me sufoca, me soterra. Sentir o ar fresco me é negado, isso agora é privilégio. Essas paredes estão tão grandes, e a janela sumindo. As grades me limitam, cortando a contemplação de luz, a ínfima sensação de liberdade.

Eu parei, prostrado, e no meu lugar ficou a dúvida. Mas o relógio, esse nunca pára.